A consultoria Teleco, especializada em telecomunicações, divulgou hoje o balanço da cobertura 3G no Brasil. Os dados referem-se ao mês de novembro de 2009, mas dá para ter uma noção de como anda esse mercado.
A boa notícia é que os investimentos em banda larga móvel continuam a todo vapor, a despeito do ano difícil que tiveram as operadoras (o que não significa elas não tenham ganhado dinheiro).
Atualmente, são 706 os municípios cobertos, ante 448 no final do ano passado. Em termos de população, a cobertura atinge mais de 123 milhões de pessoas, ou 64% do total. Ou seja, as operadoras já cumpriram o estabelecido pela Anatel para — imaginem — 2012.
A líder em cobertura é a Vivo, com 574 municípios. Em seguida vem a Claro, com 389. A Oi é a terceira, com 167. E a TIM segue na rabeira do ranking, com apenas 55 municípios cobertos – de longe a pior cobertura entre as grandes operadoras.
O que leva à minha pergunta: a TIM desencanou do 3G? Aparentemente sim.
Existe uma explicação tão lógica quanto bizarra para isso. A operadora italiana investiu menos em 3G que as demais ao longo de 2008 (embora esteja em dia com as metas da Anatel). A empresa iniciou a operação em abril, junto com a Oi – mas quase seis meses depois que as rivais Vivo (com a Telemig) e Claro. Some-se a isso o fato de a matriz na Itália ter passado boa parte do ano descascando um abacaxi societário, sem tempo ou disposição para investir no Brasil, e o resultado é uma rede incipiente, que encerrou 2008 com pouco mais de 20 municípios cobertos. Na Oi, esse número já era de 99.
Mas o que me chama a atenção é a estratégia adotada pela TIM em 2009, já sob a nova gestão. Luciani, o atual presidente, tem insistido — e investido – em cobertura 2G, de voz, indo totalmente na contramão do mercado (o discurso dele na Futurecom, em outubro, deixou muita gente do setor estarrecida. Eu, óbvio, adorei o burburinho. É sempre bom quando alguém resolve dar uma cartada inesperada).
Claro, não se trata apenas de uma paixão recém-descoberta por Luciani pelo serviço de voz. Só para se ter uma ideia, estima-se que, para ter uma cobertura semelhante à da Vivo, a TIM teria de desembolsar algo em torno de 500 milhões de reais – muito dinheiro para uma companhia que, apesar de bilionária, ainda encontra-se às voltas com um processo de reestruturação.
A saída, portanto, foi investir no serviço de voz, que já conta com infraestrutura montada. E, como o próprio Luciani já cansou de afirmar, ainda tem muito espaço para crescer (o brasileiro fala 50%o menos no celular que o europeu, segundo levantamento do fundo Bernstein Research).
Mesmo assim, o risco de se adotar uma estratégia como essa, nem preciso dizer, é imenso. A banda larga móvel tem crescido exponencialmente no Brasil, e a TIM pode ficar totalmente de fora de um dos mercados mais promissores dos próximos anos.
Mas, por outro lado, oferecer um serviço de má qualidade, a qualquer preço, pode comprometer para sempre a marca da empresa, um de seus maiores ativos (vamos combinar que as operadoras de telefonia não são exatamente um exemplo de qualidade e atendimento, embora as metas da Anatel digam o contrário). Não por acaso, a TIM chegou a suspender a venda do serviço em algumas cidades, e decidiu começar praticamente do zero seu serviço 3G, fazendo ajustes de cobertura em 20 capitais.
Trocando em miúdos: a TIM preferiu dar um passo para trás antes de, em tese, dar dois para a frente (vale lembrar que a operadora tem firmado parcerias com desenvolvedores de aplicativos e fabricantes de smartphones).
O resultado desse ajuste de percurso será conhecido ao longo de 2010, quando finalmente saberemos se Luciani é um visionário ou um maluco completo. Mal posso esperar pelos próximos comentários na Futurecom.
Fonte: Portal Exame






1 comentário
Jeckson disse:
03/09/2010 em 23:01 (UTC -3 )
Essas informações dão aos clientes das operadoras uma noção que operadoras estão atuando no mercado brasileiro e quais são as propostas para melhoria de serviços avançados!